A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) deverá decidir se considera o movimento Legendários incompatível com sua doutrina. O assunto será analisado durante a reunião do Supremo Concílio, instância máxima da denominação, que começa no próximo domingo (26), em Manaus, no Amazonas.
A discussão tem como base um parecer elaborado pelo Sínodo do Tocantins. O documento recomenda que pastores, presbíteros, diáconos e demais membros da IPB não participem, incentivem ou divulguem as atividades do Legendários.
O encontro em Manaus deverá reunir mais de 1,6 mil representantes de 404 presbitérios de diferentes regiões do país. Caso seja aprovado, o parecer passará a orientar oficialmente as congregações ligadas à denominação.
Críticas a métodos de coaching
O documento argumenta que o Legendários utiliza métodos associados ao coaching, estratégias motivacionais e experiências de forte impacto emocional que seriam incompatíveis com a tradição reformada seguida pela Igreja Presbiteriana.
Entre as práticas questionadas estão o uso de gritos de guerra, roupas padronizadas e números para identificar os participantes. O parecer também critica referências a Jesus como “Legendário 001”, expressão considerada inadequada pela comissão responsável pela análise.
Segundo o texto, essas práticas poderiam transformar a fé em uma experiência de consumo e pertencimento a um grupo, além de retirar das Escrituras e da obra de Jesus Cristo a centralidade defendida pela doutrina presbiteriana.
O parecer também demonstra preocupação com os desafios realizados durante os retiros. Privação de alimento, desgaste físico intenso e pressão psicológica poderiam produzir reações emocionais interpretadas pelos participantes como experiências espirituais.
Outro risco apontado é a possível divisão entre os homens que fizeram a imersão e os demais integrantes das congregações. Na avaliação da comissão, isso poderia enfraquecer a unidade das igrejas locais e a autoridade de pastores e conselhos.
O que pode acontecer com os participantes?
Se aprovado, o documento não estabelece uma expulsão automática dos presbiterianos que participam do movimento. A orientação é que os conselhos locais acompanhem cada situação e conversem com os membros envolvidos.
Dependendo do caso, as lideranças poderão adotar medidas de orientação pastoral para impedir a divulgação e a participação nas atividades do Legendários dentro da denominação.
A Igreja Presbiteriana ainda não anunciou uma posição definitiva. A decisão dependerá da votação dos representantes durante o Supremo Concílio.
O que diz o Legendários?
Criado na Guatemala e presente no Brasil desde 2018, o Legendários promove imersões exclusivas para homens, com trilhas, desafios físicos, orações e palestras. O movimento afirma que busca formar homens capazes de atuar como provedores e protetores de suas famílias e comunidades.
Em manifestação divulgada à imprensa, a organização afirmou respeitar as decisões das diferentes denominações cristãs. O grupo também destacou que está presente em 24 países e reúne mais de 220 mil participantes.
O posicionamento não é unânime entre lideranças presbiterianas. O pastor Hernandes Dias Lopes afirmou não enxergar problemas nos desafios físicos, desde que as atividades não recebam caráter místico nem substituam o papel central da igreja.
A proposta será analisada a partir de domingo. Até que o Supremo Concílio conclua a votação, a possível incompatibilidade do Legendários com a doutrina presbiteriana permanece apenas como recomendação apresentada pelo Sínodo do Tocantins.
Fonte: ContilNet







