Líder chinês repreende primeira-ministra do Japão em cúpula com Trump e eleva tensão

Líder chinês repreende primeira-ministra do Japão em cúpula com Trump e eleva tensão
Relatos publicados pelo 'Financial Times' apontam que o presidente chinês ficou agitado ao falar de Sanae Takaichi/ Foto: Reprodução

O presidente da China, Xi Jinping, protagonizou o momento de maior fricção diplomática da cúpula bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump, ao desferir duras críticas à primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. O líder chinês condenou o que classificou como um processo de “remilitarização” promovido por Tóquio.

As informações foram reveladas pelo jornal britânico Financial Times. Segundo relatos de integrantes das delegações obtidos pelo periódico, Xi Jinping ficou visivelmente “exaltado e agitado” ao introduzir o cenário geopolítico japonês no debate, uma postura que surpreendeu a comitiva dos Estados Unidos, já que o tópico não constava nos eixos temáticos previstos para o encontro.

Diplomatas e autoridades que participaram das reuniões reservadas confirmaram que o ataque verbal do chefe de Estado chinês contra o governo japonês representou o ponto de maior tensionamento ao longo dos dois dias de conferência de cúpula entre as superpotências.

Após a intervenção de Xi Jinping criticando a gestão de Sanae Takaichi e o recente incremento nas despesas de defesa e orçamento militar das forças japonesas, Donald Trump interveio na discussão. O mandatário norte-americano rebateu o argumento de Pequim ao ponderar que o Japão necessita adotar uma postura de segurança regional mais assertiva e equipada, justificando a medida diante da escalada de ameaças balísticas e nucleares vindas da Coreia do Norte.

A tática de Pequim de usar a mesa de negociações para tentar minar o bloco de aliados de Washington na Ásia foi analisada por especialistas em relações internacionais. Para Christopher Johnstone, ex-assessor especial da Casa Branca para assuntos de segurança envolvendo o Japão, a agressividade verbal de Xi e a tentativa de barganhar com Trump por uma estabilidade entre EUA e China acabaram por gerar o efeito oposto, legitimando a busca de Tóquio por autonomia bélica.

“A falta de autoconsciência de Xi é notável. Suas próprias ações estão acelerando o surgimento de um Japão muito mais forte”, avaliou Johnstone ao comentar os desdobramentos do encontro para o equilíbrio de forças no Indo-Pacífico.

Fonte: ContilNet

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