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Mailza diz que empresa vai retirar destroços da ponte de Sena e promete nova estrutura

Outra parte da ponte de Sena tem riscos de cair, diz perícia

A governadora do Acre, Mailza Assis, afirmou que o Estado está trabalhando para viabilizar a construção de uma nova ponte em Sena Madureira, após o desabamento da estrutura Padre Paolino Baldassari, sobre o Rio Iaco. Em entrevista exclusiva ao ContilNet nesta quinta-feira (5), ela garantiu que o governo pretende avançar com novos estudos, buscar recursos e cobrar da empresa responsável pela obra uma solução para os prejuízos causados pelo acidente.

A entrevista foi concedida durante uma reunião realizada na Casa Civil, com integrantes do secretariado estadual e o prefeito de Rio Branco, Alysson Bestene. O encontro tinha como pauta a situação do Mercado Velho, na capital, mas a governadora também foi questionada pela reportagem sobre os encaminhamentos para a ponte de Sena Madureira.

Ao falar sobre a retirada dos escombros e as providências que serão adotadas pelo governo após a autorização parcial concedida pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, Mailza explicou que a empresa responsável pela construção já foi acionada desde os primeiros momentos após o desabamento. Segundo ela, o caso foi levado à Justiça e o Estado aguarda os elementos técnicos necessários para cobrar formalmente uma resposta da construtora.

Governadora falou com exclusividade ao ContilNet/Foto: Neto Lucena

“Lá no início do ocorrido, já acionamos a empresa, judicializamos, inclusive, os meios que precisavam ser convocados ou instruídos a tomar providências, como a Polícia Civil com o laudo. Já foi definido. Com essa apresentação, a gente vai ter a condição de cobrar, e a empresa é responsável por isso”, declarou.

A governadora ressaltou que, enquanto aguarda uma definição sobre a responsabilidade da construtora pela retirada dos destroços e pela recuperação da estrutura, o Estado também precisa atuar para diminuir os impactos enfrentados pelos moradores.

“Paralelo a isso, o Estado pode tomar providências que facilitem a vida das pessoas, que deem melhores condições. Mas a resposta de retirada e de conclusão da obra, ou de definição de como ficará aquela obra, nós aguardamos da empresa e vamos cobrar pela celeridade dessa resposta”, afirmou.

Questionada se a situação já havia sido discutida diretamente com a empresa, Mailza confirmou que o assunto está sendo tratado judicialmente. Ela destacou que, neste momento, cabe ao poder público buscar alternativas para atender a população prejudicada pela queda da ponte.

“Está, inclusive, na Justiça. Já é uma questão da empresa responder. O que nós podemos fazer enquanto Estado, enquanto município, é dar assistência às pessoas que estão sendo prejudicadas por essa situação”, acrescentou.

Governo promete novos estudos e recursos para outra ponte

Durante a entrevista, Mailza também foi questionada sobre o compromisso de garantir uma nova ponte à população de Sena Madureira. A estrutura anterior era aguardada há quase 50 anos e acabou desabando pouco mais de dois anos após ser inaugurada.

A governadora confirmou que já esteve no local e afirmou que o governo pretende realizar novos estudos para avaliar a possibilidade de construir a estrutura em outro ponto. Segundo ela, a responsabilidade da empresa pela obra que desabou não impede que o Estado trabalhe paralelamente para encontrar uma solução definitiva.

Construtora terá que retirar os destroços/Foto: Gleison Júnior/Orna AudioVisual

“Com certeza. Já fui, visitei o local, já me comprometi, inclusive, da gente ter novos estudos, ver um novo local para a construção dessa obra, que é de responsabilidade da empresa, ela precisa nos devolver a ponte”, declarou.

Mailza explicou que ainda não é possível estabelecer um prazo para a conclusão de uma nova estrutura, principalmente porque a responsabilização da construtora e a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos dependem dos desdobramentos judiciais. Mesmo assim, afirmou que o governo já trabalha na busca por recursos para uma nova construção.

“Como nós não temos como mensurar exatamente quando podemos ter essa obra, que pode inclusive ser ressarcida pela empresa, paralelo a isso, nós já estamos providenciando uma nova ponte, uma nova construção, garantindo novos recursos para que a gente garanta que seja devolvida à população de Sena Madureira”, afirmou.

Ao comentar o tempo de espera dos moradores e o pouco período em que puderam utilizar a estrutura, a governadora lamentou o ocorrido e reforçou que a reconstrução está entre as prioridades de sua gestão.

“É muito triste, mas não sai das nossas responsabilidades e da nossa preocupação também, como gestora do Estado, de providenciar, de cuidar disso urgentemente. É o que estamos fazendo”, concluiu.

Retirada dos escombros pode custar mais de R$ 30 milhões

A Ponte Padre Paolino Baldassari desabou no dia 5 de junho, pouco mais de um ano após sua inauguração, realizada no fim de 2023. A estrutura fazia a ligação entre o Primeiro e o Segundo Distrito de Sena Madureira. No momento do acidente, quatro pessoas ficaram feridas.

Desde o desabamento, os restos da estrutura permanecem no leito do Rio Iaco, bloqueando parte do canal e provocando dificuldades para o transporte hidroviário, além de afetar a rotina de moradores que dependem da travessia.

O Governo do Acre recebeu autorização parcial do Instituto de Criminalística (IC), órgão ligado à Polícia Civil, para iniciar a retirada de parte dos destroços. A informação foi confirmada anteriormente ao ContilNet pelo delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Buzolin, em 28 de outubro. Apesar da liberação parcial, a perícia ainda não foi concluída, devido à complexidade da investigação sobre as causas do desabamento.

Conforme informações do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a operação para retirar os escombros poderá ultrapassar R$ 30 milhões. A construção da ponte custou aproximadamente R$ 36 milhões, o que significa que apenas a remoção dos destroços poderá representar um custo próximo ao valor investido na obra original.

Na esfera judicial, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) acompanha o caso e conduz investigações para esclarecer as circunstâncias do desabamento, incluindo possíveis falhas na execução e na fiscalização da obra.

Em uma das medidas adotadas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 36 milhões em bens da Construtora Cidade, responsável pela construção, além da suspensão de pagamentos do governo estadual à empresa. Também foi determinada a apresentação de um plano conjunto com prazos e custos para a reparação dos danos, a desobstrução do Rio Iaco e a reconstrução da ponte.

Enquanto as investigações e as medidas judiciais avançam, a população de Sena Madureira aguarda uma solução para recuperar a ligação entre os dois distritos. A proposta apresentada por Mailza é trabalhar em duas frentes: cobrar da construtora a responsabilidade pelo desabamento e, paralelamente, buscar recursos e alternativas para garantir uma nova ponte ao município.

Fonte: Contilnet

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