Mortes violentas caem 8,2% no Brasil em 2025 e atingem menor nível desde 2012

O Brasil registrou uma redução de 8,2% no número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) ao longo de 2025, contabilizando 40.775 ocorrências contra as 44.220 Notificadas nos 12 meses anteriores. O resultado representa o índice mais baixo de violência letal registrado no país desde 2012, início da série histórica monitorada.

Os dados constam na 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23/7) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O indicador MVI abrange os registros de homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e óbitos decorrentes de intervenção policial.

Com o desempenho de 2025, a taxa nacional recuou para 19,1 mortes violentas para cada grupo de 100 mil habitantes. Na comparação com o topo da série histórica em 2012, o recuo acumulado chega a 31%.

De acordo com o levantamento, a retração do indicador global foi impulsionada pela queda nos homicídios dolosos, que somaram 32.914 casos no ano anterior. O resultado gerou uma taxa de 15,4 casos por 100 mil habitantes, permitindo ao país antecipar em dois anos a meta estabelecida pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que previa atingir o patamar de 16 por 100 mil apenas em 2027.

Apesar da trajetória descendente no volume geral de homicídios, a letalidade provocada por agentes de segurança pública manteve tendência de alta. As mortes decorrentes de intervenções de policiais civis e militares subiram 5,4% em 2025, passando de 6.237 para 6.602 casos — o equivalente a 18 mortes diárias. Com isso, ações policiais já respondem por 16,2% de todas as mortes violentas registradas no território nacional.

No mesmo período, a vitimização de policiais em serviço ou fora dele registrou queda de 3,5%, recuando de 144 para 139 mortes. Por outro lado, o indicador de suicídios entre profissionais da segurança pública acumulou crescimento de 37,8% em comparação ao apurado em 2017.

O relatório aponta a permanência de um perfil demográfico predominante entre os mortos pela violência no país:

  • Gênero: 90,8% das vítimas eram do sexo masculino;

  • Faixa etária: 41,6% dos vitimados tinham entre 18 e 29 anos;

  • Recorte racial: 79,7% das vítimas eram pessoas negras, segmento que apresenta mortalidade 3,5 vezes superior à registrada entre a população branca.

No acumulado dos últimos 14 anos compreendidos pelo monitoramento do FBSP, o Brasil contabiliza 737.883 pessoas mortas em decorrência da violência letal intencional.

O levantamento revela disparidades acentuadas na distribuição geográfica da violência. Entre as unidades da federação, o Amapá apresentou a maior taxa de mortes violentas do país, com 42,5 ocorrências por 100 mil habitantes. Na variação anual, o Rio Grande do Norte liderou o crescimento do indicador, com alta de 19,6% e taxa de 29,1 por 100 mil.

Em âmbito municipal, a cidade de Maranguape, no Ceará, figurou como o município mais violento do país, atingindo o índice de 100,3 MVIs por 100 mil habitantes.

Em avaliação constante no estudo, a pesquisadora do FBSP, Raquel Sousa, pondera que a antecipação das metas de redução de homicídios exige ponderação em relação ao papel do Estado na contenção da violência. A especialista ressalta a necessidade de aprimorar os mecanismos de controle do uso da força pública, destacando que a alta contínua da letalidade policial demonstra a urgência de reformulações nas políticas de segurança adotadas pelas esferas governamentais.

Fonte: ContilNet

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