MPF pede suspensão de operação contra comércio ilegal na orla do Rio

MPF pede suspensão de operação contra comércio ilegal na orla do Rio
Vendedores ambulantes na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro • Fernando Frazão/Agência Brasil

O MPF (Ministério Público Federal) pediu, por meio de uma ação civil pública, a suspensão do programa Tolerância Zero, criado pela Prefeitura do Rio de Janeiro para combater o comércio ambulante do espaço público na orla carioca. A operação começou na última quinta-feira (16), nas praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon, na zona Sul.

A petição, com pedido de tutela de urgência, também pede que a União e o município elaborem, de forma conjunta, um planejamento para a gestão desses espaços que possa conciliar o ordenamento urbano, o enfrentamento do crime organizado e a proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores ambulantes.

Entenda a ação

Segundo o MPF, o pedido de suspensão foi motivado pelo fato de que o programa teria sido criado sem diálogo com a União, titular das praias marítimas, sem participação da sociedade e sem medidas para regularizar situação dos trabalhadores ambulantes que dependem do comércio para sobreviver.

Na ação, o MPF destacou que o município não celebrou o TAGP (Termo de Adesão à Gestão de Praias), e não elaborou o Plano de Gestão Integrada previsto no Projeto Orla.

O MPF afirma que, embora o combate à exploração ilegal do espaço público seja necessário, o objetivo não justifica a adoção de medidas que atinjam, também, trabalhadores legais, que aguardam há décadas políticas públicas que os reconheçam e os incluam no planejamento da cidade.

A instituição alega que o programa prevê ações amplas para apreender mercadorias e restringir o comércio ambulante sem que a cidade tenha regularizado esse tipo de atividade por meio de políticas públicas.

Assim, a petição sustenta que o resultado da falta de regularização é a imposição de restrições ao direito ao trabalho sobre uma população formada, em maioria, por pessoas negras, migrantes, refugiadas e trabalhadores em situação de vulnerabilidade social, que dependem dessa atividade.

Em nota, o MPF afirma que “reconhece a necessidade de combater organizações criminosas e coibir a exploração ilegal do espaço público”, mas afirma que “esses objetivos não autorizam medidas que tratem toda a categoria profissional como suspeita, nem dispensam o dever do Estado de construir políticas públicas capazes de garantir condições dignas de trabalho”.

“O combate ao crime deve ser direcionado aos responsáveis pelas atividades ilícitas, e não utilizado para justificar restrições generalizadas ao exercício de uma atividade profissional reconhecida pela legislação”, completou o MPF.

Na ação, Julio Araujo, procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto, destacou que a prefeitura implantou uma política permanente de fiscalização das praias sem observar as normas federais relacionadas a gestão desses espaços.

Vendedores ambulantes na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro • Fernando Frazão/Agência Brasil

Nas redes sociais, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri, comentou sobre a ação movida pelo MPF. Leia na íntegra:

“A absoluta inversão de valores deste Procurador Federal não pode representar uma instituição como o Ministério Público Federal. Diante das denúncias da imprensa e informações pelos órgãos policiais de atuação do crime organizado: a omissão. Após a atuação efetiva do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio retomando a autoridade no espaço público para coibir as flagrantes ilegalidades: o tal procurador do MPF com histórico de postura meramente ideológica resolve entrar na justiça extrapolando as suas competências para defender o indefensável. Como explicar esta postura pra população e pra sociedade? Lamentável o papel deste procurador que não cumpre sua função verdadeira, se omite diante do crime organizado e está longe de representar a seriedade de uma instituição como o MPF. Que a Justiça Federal faça o seu papel e ratifique o óbvio: a competência constitucional da Prefeitura do Rio e do Governo do Estado de atuar para coibir irregularidades, combater o crime organizado e garantir a autoridade e no espaço público. Seguimos!”

A CNN Brasil entrou em contato com a prefeitura do Rio para uma manifestação e o espaço segue aberto.

Programa Tolerância Zero

A Prefeitura do Rio anunciou, no início deste mês, o Programa Tolerância Zero contra a exploração irregular do espaço público na orla carioca.

Coordenada pela Seop (Secretaria Municipal de Ordem Pública), a ação terá fiscalização permanente, com 320 agentes mobilizados diariamente, além do uso de drones e câmeras do COR (Centro de Operações e Resiliência).

Segundo a prefeitura, foram identificados mais de mil pontos de venda explorados ilegalmente na região e cerca de 22 depósitos irregulares ligados ao abastecimento do comércio clandestino. A operação prevê apreensão de mercadorias sem origem comprovada, remoção de estruturas ilegais e combate ao aluguel irregular de pontos, barracas e equipamentos.

*Sob supervisão de Julia Farias


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por larissasoave.

 

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