O Ministério Público Federal (MPF) quer leiloar veículos de investigados de uma organização criminosa alvo da Polícia Federal (PF), apontada pela investigação como responsável por um dos maiores esquemas de desmatamento na Amazônia nos últimos anos.
O inquérito da PF indica que os investigados são suspeitos de invadir terras públicas, promover desmatamento ilegal e utilizar laranjas para ocultar a titularidade das áreas. O líder do grupo seria o empresário Bruno Heller, apontado pela PF como um dos maiores devastadores da Amazônia.
Segundo as investigações, ao menos nos últimos 10 anos, o esquema teria avançado sobre terras da União, com desmatamento de cerca de 22 mil hectares e danos ambientais estimados em R$ 116,5 milhões.
Com o objetivo de ressarcir os prejuízos apontados na investigação, o MPF pleiteou a venda antecipada de veículos vinculados aos investigados na operação, deflagrada ao longo de 2023.
De acordo com o Ministério Público, os automóveis não estão sob custódia da PF e permanecem apenas com restrições administrativas, o que aumenta o risco de deterioração, desvalorização ou até transferência irregular a terceiros.
Em documento obtido pela coluna, o MPF aponta ainda indícios de que alguns veículos já teriam sido negociados informalmente, sem registro nos órgãos de trânsito, o que reforça a necessidade de leilão antecipado para preservar o valor dos bens.
Ao todo, o pedido inclui cinco veículos registrados em nome do empresário Júlio Cezar Dal Magro: um Jeep Renegade (2020/2021), uma Fiat Toro Freedom (2019), um Hyundai i30 (2011/2012), uma motocicleta Honda NXR 125 Bros (2005) e um Dodge E21 (1983), todos bloqueados durante a investigação.
O MPF também apresentou pedidos semelhantes envolvendo veículos de outros investigados, como Bruno e Tatiana Heller, incluindo caminhonetes Toyota Hilux e uma motocicleta Honda Bros 150 ligadas ao casal. Há ainda o registro de um Fiat 147 em nome de Bianor Emílio Dalmagro.
A coluna não conseguiu localizar as defesas dos citados.
Gado
Além do leilão dos veículos pleiteado pelo MPF, os rebanhos localizados pelos investigadores da PF nas áreas onde o grupo tinha posse também estão no radar dos procuradores. Há milhares de cabeças de gado vinculadas ao grupo, distribuídas em diversas fazendas no Pará.
Levantamento da coluna indica que os Heller possuem, juntos, mais de 9 mil cabeças de gado, além de rebanhos que variam de 600 a 700 bovinos em algumas fazendas.
A coluna apurou que o MPF pretende pleitear a posse desses animais, na tentativa de ressarcir os cofres públicos.
Fonte: Metrópoles








