Novo presidente do São Paulo se pronuncia após votação de impeachment

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Imagens coloridas mostram homem branco, calvo e com barba, sorrindo e cumprimentando homens com a camisa do São Paulo FC durante protesto na frente do Morumbis - Foto: Fraga Alves/ Especial Metrópoles

Novo presidente do São Paulo Futebol Clube (SPFC), Harry Massis Junior, de 80 anos, se pronunciou no início da madrugada deste sábado (17/1), após a aprovação do impeachment do presidente Julio Casares, decisão tomada após uma reunião dos conselheiros no Morumbis, na noite desta sexta-feira (16/1). Casares é denunciado por um suposto esquema de fraudes envolvendo o camarote do estádio.

O novo mandatário são-paulino disse que ainda vai tomar pé da situação em que se encontra a administração do clube, pois estava afastado. Ele prometeu serenidade, pediu confiança e paciência ao torcedor.

“Hoje não é um dia simples para o nosso clube. É um dia de responsabilidade. Assumo a presidência com muito respeito à história dessa instituição e principalmente à torcida que é o maior patrimônio que temos. Todos sabem que estamos vivendo um momento dificil, que existem investigações em andamento e elas precisam se tratadas com seriedade, com calma e com respeito às instituições e ao direito de defesa de cada pessoa envolvida. O que posso dizer com toda clareza é o seguinte: o clube vai continuar competindo, honrando sua camisa e sua história. A presidência que começa hoje tem um compromisso simples e firme: cuidar do clube, proteger a instituição e agir com responsabilidade e transparência. Não é hora de julgamentos precipitados, nem de discursos vazios. É hora de trabalho, serenidade e respeito ao nosso torcedor. Peço confiança, paciência, especialmente união. O clube é muito maior do que qualquer dirigente, qualquer crise. É por ele que vamos trabalhar todos os dias”, declarou Harry Massis Junior aos jornalistas. Ele disse que deve conceder uma entrevista coletiva ainda neste sábado para detalhar os próximos passos da nova administração.

O clube emitiu nota oficial sobre o processo de impeachment de Casares. O texto confirma que o afastamento ocorre de forma imediata e será revertido apenas em caso de reprovação da pauta na assembleia geral.

A reunião do Conselho Deliberativo aconteceu de forma híbrida por determinação da 3ª Vara Cível do Butantã na última 2ª feira (12/1). O impeachment de Casares foi aprovado por 188 votos. Eram necessários 170 votos de um total de 254 conselheiros aptos a participar da decisão. 223 se apresentaram para a reunião para votar, 168 de forma presencial e 55 on-line.

Milhares de torcedores estiveram nos arredores do Morumbis para protestar contra Casares.


O que acontece após a aprovação do impeachment do presidente do SPFC

  • Com a aprovação pelo Conselho Deliberativo, Julio Casares ficará afastado temporariamente
  • O presidente do Conselho, Olten Ayres, deve convocar uma assembleia com os sócios em até 30 dias.
  • Durante esse período, quem comanda o clube é o vice-presidente Harry Massis Jr.
  • Casares será afastado em definitivo após definição da Assembleia Geral com os sócios.
  • Caso o impeachment seja aprovado na assembleia, Massis Jr. assume em definitivo até o fim de 2026, quando acontecerá votação para definir o próximo presidente.
  • O pedido de afastamento cautelar foi protocolado por conselheiros da oposição no dia 15 de dezembro de 2025.
  • Além da comercialização ilegal dos camarotes, Casares é acusado pelos conselheiros de realizar uma administração temerária por sucessivo descumprimento do orçamento e venda de jogadores abaixo do valor de mercado.

Procurado pelo Metrópoles, o São Paulo Futebol Clube não se manifestou até o momento da publicação da reportagem. Julio Casares ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto.

Entenda o que motivou o afastamento de Julio Casares

Julio Casares é investigado por suspeitas relacionadas à exploração clandestina de um camarote no estádio Morumbis, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a irregularidade teria acontecido em um camarote ligado à presidência do clube no estádio para o show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025. Os crimes suspeitos levantados pelo MPSP são corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.

Um áudio revelou o suposto esquema de comercialização irregular do camarote ligado a presidência do SPFC.

Segundo o material divulgado pelo Globo Esporte, o diretor-adjunto das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos (e ex-esposa de Julio Casares), Mara Casares, estariam envolvidos no esquema ilegal.

No áudio, o diretor das categorias de base diz que ele e outras pessoas se beneficiaram financeiramente com a prática.

O esquema consistiu no repasse do camarote por parte da diretoria do São Paulo Futebol Clube à Mara Casares para a realização de um evento durante o show da Shakira. Posteriormente, a mulher chamou uma intermediária para vender os ingressos, com alguns tickets custando até R$ 2,1 mil. Essa prática já é considerada ilegal.

Porém, o caso estourou quando a intermediária entrou na Justiça alegando que foi vítima de um calote por parte de Mara e outro dirigente do São Paulo no pagamento de um pacote de ingressos. Neste momento, o áudio revelado na imprensa mostra os dois pressionando a intermediária a retirar a ação judicial, confessando que se tratava de um esquema clandestino.

Após a publicação do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento dos cargos.

Quem é o vice-presidente que assume o SPFC

Aos 80 anos, Massis Junior é empresário e membro do grupo político Vanguarda, que fez parte da coalizão que elegeu Casares para presidente, mas rompeu com o dirigente após os escândalos recentes envolvendo o clube.

Massis Júnior é conselheiro vitalício do São Paulo e faz parte do quadro de sócios desde 1964. Dono do Hotel Massis, em São Paulo, ele ocupa o cargo de vice-presidente do tricolor desde 2021. O dirigente esteve presente nas delegações dos títulos da Copa Intercontinental de 1991 e 1992 como diretor-adjunto administrativo.

Fonte: Metrópoles

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