Padre diz que momento é de largar a polarização e praticar a caridade

Quarta-feira de cinzas é um dia de reflexão, disse o padre ao ContilNet
Quarta-feira de cinzas é um dia de reflexão, disse o padre ao ContilNet/Reproduçãoo

A Quarta-feira de Cinzas abre oficialmente o período da Quaresma para os católicos em todo o mundo. Para explicar a profundidade desse tempo, o padre Macoy Soares destacou, em entrevista ao ContilNet nesta terça-feira (17), que a data é o primeiro passo de um caminho espiritual rigoroso.

“Amanhã seria a abertura de um tempo de meditação, um tempo de sobriedade, solidariedade, de oração e jejum, que inicia a Quaresma”, afirmou o padre.

Sobre a transição entre as festas de rua e o rito religioso, Macoy esclareceu que o Carnaval surgiu historicamente como a “festa da carne”, um momento em que os fiéis consumiam o que seria privado logo em seguida.

“Antigamente, nos tempos dos primórdios, as pessoas se preparavam… olha, agora vamos passar 40 dias que antecedem a Semana Santa. Quando antecedia a Semana Santa, então as pessoas antigamente diziam assim: ‘olha, então já que vai ter 40 dias de abstinência, de jejum, de oração e de penitência, então nós vamos passar três dias comendo carne’. Por isso o Carnaval, a festa da carne. Mas depois as pessoas trocaram e inverteram tudo isso”, explicou o sacerdote.

A Igreja, segundo o padre, mantém uma visão de vigilância sobre os comportamentos durante as festividades populares, defendendo que o cristão deve buscar a dignidade em todas as circunstâncias.

Quarta-feira de cinzas é um dia de reflexão, disse o padre ao ContilNet

Quarta-feira de cinzas é um dia de reflexão, disse o padre ao ContilNet/Reproduçãoo

“A Igreja sempre preza em todos os tempos e circunstâncias que o fiel seja uma pessoa contida nos seus desejos e saiba frear assim todos os seus prazeres, principalmente os da carne. E esse é o tempo, não só no Carnaval, em todos os tempos, que seja uma pessoa onde olhe para o outro e veja nele também o reflexo de Jesus”, declarou.

A análise do padre sobre a sociedade atual é crítica. Ele observa que o distanciamento do sagrado tem gerado uma humanidade mais egocêntrica e polarizada, onde a reflexão se faz urgente.

“Principalmente o tempo em que as pessoas tiraram Deus do centro e colocaram o ser humano. Tiraram a Teologia e colocaram a Antropologia, o homem. É preciso repensar os conceitos, pensamentos, ideias, principalmente nesse mundo tão polarizado que está acontecendo aí”, ressaltou o padre.

Além da espiritualidade individual, Macoy lembrou ao ContilNet que este ano a Igreja foca na questão social da habitação através da Campanha da Fraternidade.

“Muitas pessoas sem casa, muitas pessoas que não têm teto, muitas pessoas que vivem debaixo dos viadutos e, às vezes, passam distantes dos nossos olhos e longe também do nosso coração. Nós nos tornamos insensíveis para estas situações”, afirmou.

Para vivenciar o período adequadamente, o sacerdote enumerou os três pilares que sustentam a prática católica: a oração, o jejum e a caridade.

“A oração para com Deus é o caminho do céu, é o telefone do céu. Depois, o outro é o jejum para comigo mesmo, eu ver tantos desperdícios, tantas coisas, o hedonismo, a busca do prazer pelo prazer. E depois o outro, a caridade para com o irmão”, detalhou Macoy.

O período de quarenta dias culmina na maior celebração do ano para os católicos. O padre reforça que todo o esforço de penitência visa à preparação para a ressurreição.

“A Quaresma começa amanhã, quarta-feira de cinzas, e termina quinta-feira santa até as três horas. Então é um tempo de preparação para a festa mais importante do calendário litúrgico, que é a Páscoa. Não é o Natal, a festa mais importante do calendário litúrgico da Igreja é a Páscoa”, concluiu o padre.

Fonte: Contilnet

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