A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (25), uma operação para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis que ocultaram um rombo estimado em R$ 24 bilhões na rede varejista Lojas Americanas. A ofensiva foca ex-diretores da companhia suspeitos de arquitetar e executar a manipulação de balanços, no que é considerado um dos maiores escândalos do mercado financeiro da história do país.
Cerca de 180 agentes federais cumprem dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro, base da cúpula da empresa. A ação é realizada em cooperação com o Ministério Público Federal (MPF) e com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais.
Por determinação da Justiça Federal, foi expedida uma ordem de sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias dos investigados. O teto das medidas assecuratórias patrimoniais pode atingir o montante de até R$ 54 bilhões, valor destinado a garantir eventuais reparações financeiras.
O inquérito conduzido pela PF aponta que o grupo de ex-executivos fraudava sistematicamente as demonstrações financeiras da empresa para inflar os resultados operacionais e atrair investidores. Com base nas provas materiais colhidas ao longo das diligências, os investigadores apontam para a ocorrência de crimes como o uso de dados falsos em balanços para encobrir o endividamento real, manipulação de mercado para alterar o valor das ações na Bolsa, associação criminosa e lavagem de dinheiro por meio da ocultação de recursos obtidos ilegalmente.
A ação desta quinta-feira integra o cronograma de apurações iniciado em janeiro de 2023, quando a nova gestão das Lojas Americanas revelou publicamente a existência de “inconsistências contábeis” bilionárias. O episódio provocou o colapso do valor das ações da empresa, desencadeou a desconfiança de bancos credores e culminou em um dos maiores processos de recuperação judicial já registrados no Brasil.
O objetivo desta fase do inquérito é individualizar a conduta de cada integrante do antigo comitê executivo e mapear o destino dos bônus e dividendos pagos aos diretores com base em lucros que, segundo a PF, eram inexistentes. Os presos serão conduzidos à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro para prestar depoimentos formais.
Fonte: ContilNet








