Durante a última noite do Carnaval “Folia, Tradição e Alegria”, em Rio Branco, o prefeito Tião Bocalom (PL) concedeu entrevista ao ac24horas, na noite desta terça-feira, 17, direto da Praça da Revolução, onde acontece a festa carnavalesca. O Chefe do Poder Executivo Municipal fez um balanço dos investimentos na cultura, rebateu críticas sobre os gastos do evento, falou das obras estruturantes e reafirmou a intenção de disputar o governo do Estado.
Bocalom defendeu a decisão de priorizar artistas locais em vez de contratar atrações nacionais. “Agora, artista para cantar? Ah, gente, dá licença. Os nossos artistas aqui, eu não perco muito com o povo que vem lá de fora e leva 700 mil a um milhão de reais, não. Entendeu? O trabalho é baratinho aqui. E quem sabe um dia a gente vai ver esses nossos artistas aqui também fazendo sucesso lá fora. Então, dá sempre a oportunidade para o nosso pessoal”, pontuou.
Segundo ele, a diretriz foi clara desde o início da gestão. “Quando a gente veio aqui na primeira vez, nesse ano que eu estava fazendo carnaval, falei: ó, ninguém vai contratar ninguém de fora. Vamos dar vez a quem é da vez, que é o nosso povo daqui. E, graças a Deus, o sucesso está aí”, reforçou.
Ao comentar o movimento na Praça da Revolução, o prefeito destacou o público, mesmo sendo uma terça-feira. “Hoje é uma terça-feira, amanhã muita gente tem que trabalhar, mas, no entanto, o povo está aí. Então, o que me deixa feliz é isso. Olha a fonte, olha que coisa linda. É um sucesso total, né? As crianças ali brincando”, acrescentou.
Foto: Jardy Lopes/ac24horas
Bocalom sinalizou que o espaço deve receber programação ao longo do ano e convidou a população a participar das decisões. “A população pode começar a dar alguns pitacos, sugestões. Entra no site da Prefeitura e começa a dar sugestão. Vai lá na rede social do Bocalom”, observou.
Questionado sobre a premiação dos blocos e os investimentos culturais, o prefeito reafirmou o compromisso com o aumento de recursos.
“Não tenho dúvida nenhuma. Se eu virar governador, aí fica mais fácil, né? O Alysson, tenho certeza, é outra pessoa que, como eu, está resgatando a cultura. Eram 300 mil reais o orçamento da cultura todos os anos e 100 mil para o esporte. Eu elevei para 2 milhões de reais na cultura, e o esporte saiu de 100 mil para 1 milhão e meio”, revelou.
Ele também anunciou a compra de um ônibus para atender grupos culturais e esportivos. “Já comprei um ônibus zerado para 68 pessoas, para levar tanto o pessoal da cultura como o do esporte para qualquer lugar do Brasil ou daqui da América. É um ônibus rodoviário, zerado, que está sendo produzido lá em Caxias. Talvez eu não consiga entregar até o dia 3 de abril, mas, se ele não vier para eu entregar, o Alysson vai entregar. É mais um investimento para a nossa cultura e para o nosso esporte”, pontuou.
Foto: Jardy Lopes
O prefeito detalhou ainda investimentos com recursos próprios e parcerias parlamentares. O gestor destacou obras estruturantes, como o viaduto da AABB, conhecido como Mamédio Bittar, e a entrega do novo Mercado Elias Mansour.
“Feita com recurso próprio, é bem entendido. Recurso nosso. Recurso teu. Não está vindo do governo federal, não. O Mercado Elias Mansour são 20 milhões que o nosso senador colocou, mas a prefeitura está colocando mais 10 ali no mercado. Ali na maternidade o senador colocou 25, e a prefeitura está colocando algo próximo de 3 também, para poder embelezar”, explicou.
Sobre o novo modelo do mercado, afirmou que a proposta é modernizar o espaço. “O consultor que estava ajudando a gente aqui a reformular foi quem fez a reformulação do Mercado Municipal de Belo Horizonte, que é o terceiro do mundo, primeiro do Brasil disparado. Então, nós queremos que as pessoas cheguem aqui, vão ao mercado e falem: ‘Nossa, que coisa mais bonita. Olha que coisa organizada’. A nossa Amazônia não tem só índio, não tem só bicho, não. Nós somos modernos também. Nós temos tecnologia”, pontuou.
“Que tenha uma banca de venda de queijo de todo jeito, que tenha vinhos, que tenha o produto acreano, mas também tenha o produto de fora. Porque, de repente, algum visitante chega e quer comprar um produto que seja da Bolívia, que seja lá da Serra da Canastra, por exemplo. Se tiver aqui, ele vai comprar aqui. O dinheiro fica aqui”, acrescentou.
Foto: Jardy Lopes
Ao ser questionado sobre a possível saída da prefeitura para disputar o governo, Bocalom foi direto. “Evidentemente, o meu projeto é esse. Eu quero ser governador neste Acre para fazer diferente. Eu quero ser governador neste Acre para fazer o que eu fiz em Acrelândia. Eu quero ser governador neste Acre para fazer o que eu estou fazendo”, destacou.
Entre as propostas, citou a recuperação definitiva da BR-364 com pavimento rígido. “Vamos criar um projeto que seja verdadeiro e que vai aguentar o resto da vida. É concreto, meu amigo, é concreto. Hoje o concreto vai custar em torno de 3 milhões e meio por quilômetro. Quatro milhões vai estourar. Não dá para fazer tudo de uma vez? Faz 50 quilômetros por ano. Vamos resolver o problema de vez”, pontuou.
Durante a entrevista, o gestor defendeu ainda parceria com os prefeitos. “Ganhou a eleição? Ganhou. Acabou a política partidária. A partir de agora é política de desenvolvimento do Acre como um todo. Chama todo mundo e vamos trabalhar juntos”, reforçou.
Sobre a possível continuidade da equipe, caso deixe o cargo, o gestor pontuou que espera que Alysson não mexa na equipe. “Quando você começa a desmontar um time até formar outro, demora. Esse time que eu tenho aqui está formado há mais de cinco anos. Para que mexer na equipe? A não ser que seja necessário em alguns casos, mas não precisa mexer. Em time que está ganhando não se mexe. Eu acho que comigo, com o Alysson, nós não vamos ter nenhum problema”, salientou.
Foto: Sérgio Vale
Bocalom também respondeu a boatos sobre sua saúde. “Eles estão doentes de saber que eu estou mais inteiro do que eles. Porque aquele portal que fez isso é o mesmo que soltou outro dia aquela mentira dizendo que a Polícia Federal tinha vindo na Prefeitura e que tinha me prendido. O povo sabe separar quem trabalha sério de quem trabalha com sacanagem”, destacou.
Encerrando a entrevista, o prefeito fez um desabafo sobre sua trajetória na política acreana. “Eu não precisava estar aqui, não. Eu podia estar cuidando do meu negócio. Mas eu tomei uma decisão na minha vida: servir meu povo. E como é que eu sirvo de uma forma que ajude muito mais gente? Como político. Como prefeito. Eu estou nessa vida para servir. Não estou aqui para juntar dinheiro, para ganhar dinheiro. O que me satisfaz é saber que, quando eu saio daqui, as crianças me vêem, me abraçam, me beijam, as pessoas me agradecem pelo carnaval, pela cidade que está bonita. Não tem dinheiro que pague uma satisfação dessa. Você vê que está servindo as pessoas. Não tem dinheiro que pague”, finalizou.











