Rio Branco tem 87 áreas de risco e mais de 44 mil pessoas afetadas, mostra documento

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) apresentou o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco. O documento identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico na capital acreana, onde vivem aproximadamente 44 mil pessoas. A elaboração contou com parceria do Ministério das Cidades e apoio da Defesa Civil Municipal.

Do total de áreas mapeadas, 14 foram classificadas como de risco muito alto, 51 como de risco alto e 22 como de risco médio. Juntas, essas áreas concentram 11.017 imóveis. O levantamento aponta que os setores de risco muito alto reúnem 3.560 pessoas, os de risco alto abrigam 35.924 e os de risco médio, 4.584.

O trabalho de campo foi realizado em três etapas, entre junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026. Pesquisadores do SGB, agentes da Defesa Civil municipal e representantes da comunidade participaram do processo, que incluiu a identificação, a caracterização e a classificação dos setores segundo metodologias e critérios técnicos reconhecidos nacionalmente. Na sequência, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo SGB, conduziu a revisão detalhada dos setores classificados como de risco alto e muito alto, etapa que subsidiou as propostas de intervenções estruturais para mitigação dos riscos.

O estudo mostra que a maior parte das ocorrências mapeadas está ligada a inundações, responsáveis por quase 60% dos processos identificados. Rastejo de solo, erosão e deslizamentos completam o quadro. As inundações se relacionam às cheias recorrentes do rio Acre e de seus afluentes, com eventos extremos registrados em 2012, 2015, 2023 e 2024.

Cidade Nova e Quinze concentram o maior número de moradores em áreas de risco, com mais de 7,4 mil pessoas em setores de risco alto. Os bairros Taquari, com cerca de 5,2 mil pessoas, 6 de Agosto, com 4,5 mil, e Recanto dos Buritis, com aproximadamente 3,5 mil, também aparecem entre os mais afetados.

Entre os bairros com risco muito alto estão Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e a região do Igarapé da Judia, na avenida Durval Camilo. A lista de risco alto inclui Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Loteamento Severa Romana (Mutum), Taquari, Panorama, Adalberto Aragão, Jardim Tropical, Oscar Passos, São Francisco, Oscar Plácido, Vitória, Placas, Centro, Canaã, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Cidade Nova e Quinze, Comara e a localidade Estrada do Porto Acre.

Já o risco médio abrange Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Laélia Alcântara, Calafate, Floresta Sul, Taquari, Panorama, Estrada do São Francisco, Placa, Ouricuri, 6 de Agosto, Santa Terezinha e Igarapé da Judia. A repetição de alguns bairros em mais de uma categoria ocorre porque cada setor é avaliado de forma individual, conforme suas características geológicas, hidrológicas e o grau de vulnerabilidade das ocupações.

A classificação de risco médio corresponde a áreas sujeitas a inundações em eventos de maior intensidade ou a terrenos com características que podem favorecer deslizamentos e erosões, ainda em estágio inicial. Esses setores exigem monitoramento constante e apresentam baixo risco à vida, com possibilidade de danos materiais pontuais. O risco alto se aplica a áreas com inundações frequentes ou sinais claros de instabilidade, com potencial para danos materiais significativos e risco à vida em moradias vulneráveis. Já o risco muito alto reúne áreas com recorrência elevada de inundações de alto potencial destrutivo ou com sinais evidentes de instabilidade, como trincas e rachaduras no terreno, o que caracteriza risco iminente à vida e demanda ações imediatas.

O PMRR funciona como instrumento técnico voltado a orientar o planejamento urbano e apoiar o município na captação de recursos e na execução de ações de prevenção de desastres. A partir de agora, cabe exclusivamente à prefeitura de Rio Branco definir prioridades e executar as medidas necessárias. O plano integra iniciativa coordenada pelo Ministério das Cidades e executada pelo SGB para apoiar municípios na gestão de áreas de risco.

Rebeca Martins

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