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Rio Branco tem árvores em apenas 39,9% dos trechos das ruas

Foto: Marcos Vicentti

Seis em cada dez trechos de vias de Rio Branco não tinham nenhuma árvore registrada pelo Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado foi destacado nessa segunda-feira (21), Dia da Árvore, em publicação do perfil Somos Acre (@somosacreoficial), que reuniu indicadores sobre a cobertura vegetal do estado e a arborização das áreas urbanas.

De acordo com o levantamento do IBGE, apenas 39,9% dos trechos de vias da capital acreana tinham pelo menos uma árvore. Nos outros 60,1%, o indicador não identificou nenhuma. O Censo não contabiliza o número total de árvores nas cidades. O critério adotado pelo instituto é a presença de ao menos uma árvore em cada trecho de via.

A publicação ressalta que estar dentro da Amazônia não garante arborização nas cidades. Segundo o perfil, a árvore da floresta e a árvore da calçada cumprem funções diferentes. No ambiente urbano, a arborização ajuda a reduzir o calor, oferece sombra e contribui para o conforto térmico, o que insere o tema no debate sobre planejamento urbano e adaptação climática.

Os dados apresentados pelo perfil indicam que, em 1985, cerca de 97% do território acreano tinha cobertura de vegetação nativa. Em 2024, o percentual caiu para 85%. Apesar da redução ao longo de quase quatro décadas, o Acre permanece como um estado majoritariamente florestal.

Segundo o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Acre registrou 325 km² de desmatamento no ano florestal entre agosto de 2024 e julho de 2025. O número representa queda de 27,62% em relação aos 449 km² registrados no período anterior. Ainda assim, a área equivale a 32,5 mil hectares de floresta derrubada em um único ano.

Na legenda da publicação, o perfil relaciona os números à sensação de calor nas ruas de Rio Branco e afirma que a árvore não se limita à paisagem, pois envolve sombra, temperatura, água, floresta e qualidade de vida. O texto termina com um questionamento sobre quem tem acesso à sombra e quem vive exposto ao calor na cidade.

Rebeca Martins

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