Thor Dantas diz que entrou na política para “salvar mais gente”

Foto: Jardy Lopes

O candidato ao governo do Acre pelo PSB, médico infectologista Thor Dantas, afirmou que decidiu ingressar na política movido pela “sensação de dever” e pela percepção de que sua atuação na medicina já não era suficiente para enfrentar problemas estruturais da sociedade.

Durante entrevista ao ac24horas na penúltima noite da Expoacre 2026, neste sábado (8), em Rio Branco, ele também criticou a gestão pública no Estado e defendeu a industrialização de produtos amazônicos como estratégia para impulsionar a economia acreana.

Com 28 anos de atuação como médico no Acre, Thor afirmou que a medicina continua sendo uma das principais realizações de sua vida profissional, especialmente por sua atuação no transplante de fígado e na área acadêmica. “É verdadeiramente a sensação de dever. Eu sou médico há 28 anos no Acre. Cheguei à metade da minha vida, estou com 52 anos e tenho dois filhos adolescentes, de 15 e 16 anos. A minha vida me preenche completamente no hospital”, afirmou.

Segundo o candidato, a experiência vivida durante a pandemia de Covid-19 foi determinante para que ele percebesse os limites da atuação médica diante de problemas que dependem de decisões administrativas e políticas. “Eu percebi nos últimos anos, e a pandemia foi fundamental para essa percepção, o quanto a minha medicina vai até determinado limite. Se eu quiser continuar ajudando a resolver problemas, que é a coisa que eu mais gosto de fazer, não é mais na medicina”, declarou.

Foto: Jardy Lopes

Thor disse que passou a enxergar a política como uma forma de ampliar sua capacidade de atuação e contribuir para a solução de problemas coletivos. “Eu só ia conseguir salvar mais gente se estivesse na gestão”, afirmou.

Ao falar sobre o cenário político e administrativo do Acre, Thor fez críticas às gestões dos últimos anos e afirmou que o Estado enfrenta problemas de planejamento, comando e execução.

“Aqui no Acre, nos últimos oito anos, eu vejo um Estado sem governo, desgovernado, sem comando, sem planejamento, sem conseguir investir o pouco dinheiro que tem”, criticou.

Para o candidato, a experiência acumulada na medicina pode ser aplicada à administração pública, principalmente na organização de equipes, definição de metas e busca por resultados. “A medicina me ensina a trabalhar em equipe e alcançar metas. Trabalhos complexos exigem articulação de equipe comprometida e gente que sabe o que tem que fazer e busca o resultado. A política precisa disso”, afirmou.

Thor também criticou o que considera uma priorização de interesses particulares em detrimento da solução de problemas da população.
“A política foi feita para resolver os problemas da vida em sociedade. E tem muito pouca gente dedicada a isso”, disse.

Na avaliação do candidato, questões como saúde, educação, infraestrutura, cultura, transporte público e abastecimento de água precisam estar entre as prioridades da administração estadual. Ele também citou a saída de jovens do Acre como um dos desafios que precisam ser enfrentados.

Recém-chegado de Xapuri, Thor relatou ter percebido entre moradores uma espécie de nostalgia em relação a empreendimentos que, no passado, movimentaram a economia do município, como a fábrica de preservativos, a produção de tacos e projetos ligados à fabricação de móveis.

Segundo ele, essas atividades chegaram a gerar mais de mil empregos diretos e indiretos e ainda são lembradas pela população. “Eles têm uma nostalgia de alguma coisa que tinha, que gerava emprego. Eram mais de mil empregos, de forma direta e indireta. Eles sabem que foi importante, funcionou, deu certo e não entendem por que não tem mais”, afirmou.

A partir desse cenário, o candidato defendeu que o Acre precisa aproveitar melhor seus recursos naturais e transformar matérias-primas em produtos com maior valor agregado.

Thor citou experiências observadas durante uma viagem recente à Europa para argumentar que produtos associados à Amazônia podem conquistar consumidores e mercados internacionais.

Ele mencionou a marca de calçados Veja, que utiliza látex produzido por seringueiros da Amazônia, e afirmou ter encontrado uma referência a Xapuri em uma loja da empresa em Berlim, na Alemanha. “Essa potencialidade nossa, o mundo quer pagar por um produto que tem uma marca amazônica. Ele quer um móvel que foi feito por um designer, mas tem uma madeira certificada. É quase uma exclusividade”, declarou.

Foto: Jardy Lopes

Na avaliação do candidato, o diferencial do Acre está justamente na possibilidade de associar produtos à identidade amazônica, agregando valor à matéria-prima produzida no Estado.

Thor também defendeu o fortalecimento da bioeconomia e citou produtos como castanha, cupuaçu e outras frutas amazônicas como exemplos de matérias-primas que poderiam ser mais bem aproveitadas pela indústria.

Segundo ele, derivados do cupuaçu já chegam ao mercado internacional em diferentes formatos e podem ser utilizados pelas indústrias alimentícia e cosmética. “Por que o Acre não participa dessa cadeia? A gente tem que industrializar os nossos produtos. Não dá para vender só a polpa da fruta. Isso tem que virar um liofilizado, um extrato. Esse é o nosso futuro”, afirmou.

Para o candidato, o Estado precisa deixar de concentrar sua economia na comercialização de matéria-prima e avançar na produção de itens processados, capazes de alcançar mercados mais valorizados.

Thor também citou a integração com os países do Pacífico e o mercado internacional como oportunidades para ampliar a comercialização dos produtos acreanos. “A gente tem, de fato, a chance de ser um grande polo de desenvolvimento econômico. A carne tem que parar de sair com osso e ser vendida no saquinho, que é o corte que o asiático quer, diferente do corte que a gente gosta e do corte que o argentino gosta”, explicou.

Ele também defendeu a produção de alimentos liofilizados e outros produtos derivados da biodiversidade amazônica. “O nosso futuro é industrializar. A coisa que eu mais estou estudando hoje é desenvolvimento econômico, porque não é da minha área. E estou cada vez mais convencido de que o nosso futuro é industrializar o produto amazônico”, concluiu.

Ao resumir sua decisão de disputar o governo do Estado, Thor voltou a relacionar a experiência médica com a proposta de atuar na administração pública. “Essa é uma eleição de mudança. Eu estou animado de estar na política porque quero trazer a minha experiência da gestão e da solução de problemas para dentro da política. O Acre vai ser meu paciente mais difícil de cuidar, mas eu quero cuidar do Acre”, afirmou.

Saimo Martins

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