Um homem foi retirado de uma fazenda de gado na zona rural de Rio Branco após ser submetido a condições análogas à escravidão. O resgate ocorreu durante a Operação Resgate VI, fiscalização realizada em agosto e divulgada nesta quinta-feira (10). Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o trabalhador estava na propriedade desde junho de 2025, sem registro formal e com salários atrasados havia vários meses.
A fiscalização apontou que o homem também não recebia férias nem décimo terceiro salário. Ele morava em um casebre de madeira que servia ao mesmo tempo como dormitório, depósito de ferramentas e cozinha. A estrutura estava deteriorada, sem vedação adequada e sem proteção contra chuva, o que permitia a entrada de morcegos no espaço.
No mesmo local onde o trabalhador preparava as refeições, os fiscais encontraram sacos de adubo, sal mineral e um botijão de gás posicionado próximo à parede de madeira. Havia ainda agrotóxicos armazenados na área, parte deles em embalagens danificadas ou com rótulos ilegíveis. O homem aplicava esses produtos na propriedade sem treinamento e sem equipamentos de proteção individual, com a própria roupa.
A propriedade não oferecia água potável. Para beber, cozinhar e tomar banho, o trabalhador usava uma cacimba improvisada, sem tampa e com folhas e outros detritos em decomposição. A água ficava armazenada em galões sujos, guardados perto das embalagens de produtos químicos. Quando a bomba de captação apresentava problemas, ele recorria à água de um açude para a higiene pessoal. A fazenda também não dispunha de banheiro, e o homem precisava usar uma área aberta da propriedade para suas necessidades fisiológicas.

Para a Auditoria-Fiscal do Trabalho, o conjunto dessas condições caracteriza trabalho degradante, uma das modalidades de trabalho análogo à escravidão previstas na legislação brasileira. Depois da fiscalização, o trabalhador foi retirado do local e encaminhado à rede de proteção social, e seus pertences pessoais também foram removidos da fazenda.
A empregadora foi notificada a regularizar as irregularidades. O vínculo empregatício foi formalizado e as verbas rescisórias somaram R$ 10.290. Também foram determinados os recolhimentos de FGTS e contribuições previdenciárias. O trabalhador poderá ter acesso ao seguro-desemprego destinado a pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão, caso cumpra os requisitos legais. A Auditoria-Fiscal informou que serão lavrados os autos de infração correspondentes às irregularidades constatadas, incluindo o auto relativo à submissão do trabalhador a condições análogas às de escravo.

Em todo o país, ações da Operação Resgate VI realizadas em agosto resultaram na retirada de 479 trabalhadores de condições análogas à escravidão, sendo 404 homens (84,4%) e 75 mulheres (15,6%). Entre eles, 15 crianças e adolescentes foram encontrados em situação de trabalho infantil, e 13 dessas vítimas também estavam submetidas a condições análogas à escravidão. A operação foi coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF).
Rebeca Martins







