Trump perde uma peça-chave: A difícil sucessão de Karoline Leavitt

Trump perde uma peça-chave: A difícil sucessão de Karoline Leavitt

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que deixará o cargo no fim deste mês. O anúncio aconteceu na quarta-feira, e a responsável explicou que tomou a decisão para “poder passar mais tempo” com a família.

A pouco mais de 15 dias de deixar o posto, começam a surgir análises e possíveis nomes que podem ocupar seu lugar. Em um artigo da CNN Internacional intitulado “Por que pode ser impossível para Trump substituir Karoline Leavitt”, o percurso da porta-voz da Casa Branca é analisado, assim como as razões pelas quais essa substituição pode ser difícil.

“Donald Trump dificilmente precisa de mais alguém para servir como porta-voz”, começa o artigo, que destaca ainda que, embora a saída de uma porta-voz possa parecer algo “trivial” para um presidente, o caso é diferente quando se trata da dupla Trump-Leavitt. Isso porque, segundo a análise, a saída representa uma “perda pessoal e política”. “O vazio que ela deixará vai destacar seu papel como membro fundamental do grupo de assessores estratégicos do presidente”, lê-se.

Leavitt está no cargo desde 2025, quando Trump voltou a ser presidente dos Estados Unidos, e foi a pessoa mais jovem a assumir a função de porta-voz, aos 27 anos. Antes dela, o recorde pertencia a Ron Ziegler, que aos 29 anos se tornou porta-voz da Presidência de Richard Nixon (1969-1974).

Vale lembrar que, durante o primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump manteve uma relação conflituosa com os meios de comunicação, que chamou de “inimigos do povo” e responsáveis por “notícias falsas”. Na época, ele ordenou à equipe de comunicação que encerrasse a tradição das coletivas de imprensa diárias. Entre março de 2019 e janeiro de 2020, o porta-voz da Casa Branca não realizou nenhuma coletiva.

Desta vez, no segundo mandato, Leavitt se tornou uma das figuras mais conhecidas da Casa Branca, já que, “assim como o chefe, rompeu com o padrão habitual de seu cargo” e, ao “provocar incansavelmente os jornalistas, expôs as fissuras do jornalismo tradicional na era das redes sociais”, escreve a CNN Internacional.

“Suas coletivas de imprensa são menos tentativas de explicar políticas ou transmitir mensagens codificadas a líderes estrangeiros do que demonstrações de rebeldia ao estilo de Trump”, descreve a publicação.

Leavitt, que já vinha da campanha de Trump desempenhando funções semelhantes às que exerce atualmente, também é “muito querida” pelos apoiadores da MAGA [movimento e lema presidencial de Trump: “Make America Great Again”, ou “Tornar os Estados Unidos Grandiosos Novamente”]. A publicação também destaca que Leavitt raramente responde às perguntas de forma direta, preferindo atacar as motivações ou formas de pensar de repórteres que acabaram relegados ao papel de figurantes no “espetáculo” de Trump.

A CNN acrescenta que o “fervor de Trump pelo conflito, seu desprezo pela etiqueta e sua disposição para dizer coisas ultrajantes criaram uma alquimia quando sua ascensão política coincidiu com a explosão das redes sociais”. A publicação ressalta que Trump “usou a nova tecnologia para injetar sua personalidade explosiva na corrente política do país, contornando os meios de comunicação tradicionais que seus antecessores utilizavam como canal de difusão”.

Diante dessa análise, considera-se que Trump talvez nem precise de outra porta-voz. Isso porque, dadas as características de Leavitt, pelas quais Trump sempre demonstrou apreço, o presidente dos EUA pode ter dificuldades para encontrar a mesma combinação de habilidades em outra pessoa. Mesmo quando Leavitt ainda estava “apenas” sendo anunciada para o cargo, o então presidente eleito dos EUA já a descrevia como “inteligente e dura”. Dois anos depois, é possível avaliar se a previsão feita em novembro de 2024 se confirmou, quando Trump afirmou: “Tenho plena confiança de que ela se destacará e ajudará a transmitir nossa mensagem ao povo americano, enquanto tornamos os Estados Unidos Grandiosos Novamente [MAGA]”.

Mas quem pode suceder Leavitt?

Ainda não há nenhum nome oficial na mesa para substituir Leavitt no cargo, mas algumas figuras já são apontadas pela imprensa internacional como possíveis sucessoras ou sucessores.

Segundo fontes próximas à administração ouvidas pelo The New York Post, entre os favoritos para o cargo estão Alina Habba, ex-procuradora federal interina de Nova Jersey, e Matthew Boyle, chefe da redação de Washington da Breitbart News, veículo de comunicação conservador dos EUA.

Alina Habba ganhou destaque como uma das advogadas de defesa de Trump antes de seu retorno à Casa Branca, especialmente no caso que envolveu as acusações de estupro feitas por E. Jean Carroll, colunista que entrou com um processo contra Donald Trump por um episódio ocorrido nos anos 1990. Atualmente, Trump recorreu à Suprema Corte depois de ter sido condenado a pagar cerca de seis milhões de dólares a E. Jean Carroll.

Habba também trabalhou com Trump antes de ser nomeada procuradora em Nova Jersey — justamente como assessora. O perfil de Habba seguiria ainda o caminho adotado por Trump em seu primeiro mandato, quando nomeou outra advogada, Kayleigh McEnany, como porta-voz da Casa Branca.

Já Boyle é um dos favoritos entre aliados influentes de Trump, segundo a publicação citada acima. Eles reconhecem, de acordo com o texto, a postura incisiva do jornalista da Breitbart dentro da mídia conservadora.

Trump já foi entrevistado por Boyle, inclusive no Salão Oval. A experiência do jornalista com investigações envolvendo figuras públicas e o fato de acompanhar de perto o trabalho de Trump podem ser um “plus” diante dos desafios relacionados às relações públicas.

A publicação afirma que, entre outros candidatos, também podem estar o ex-vice-chefe de gabinete da Casa Branca para comunicações e pessoal, Taylor Budowich, que deixou o cargo em setembro para retornar ao setor privado. Outro possível nome é o atual diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung.

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