Alan deverá ter o apoio dos pastores das duas maiores igrejas evangélicas

Pastor Agostinho orando durante filiação de Alan ao Republicanos/Foto: Reprodução

A disputa no campo da direita acreana caminha para um cenário de três candidaturas competitivas: o senador Alan Rick, a vice-governadora Mailza Assis e o ex-prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom. A presença de mais de um nome no mesmo espectro político tende a fragmentar bases eleitorais semelhantes e ampliar a disputa por apoios estratégicos.

É nesse ambiente que Alan Rick pode sair em vantagem. O senador deve receber o apoio de duas das principais lideranças evangélicas do estado: o pastor Agostinho, da Igreja Batista do Bosque, e Luiz Gonzaga, referência histórica da Assembleia de Deus no Acre.

O movimento tem relevância porque o eleitorado conservador e religioso ocupa espaço central nas eleições acreanas. Em uma disputa dividida entre três candidaturas de perfil semelhante, o respaldo de lideranças com forte presença social e capacidade de mobilização pode funcionar como elemento de diferenciação.

Além do peso simbólico, trata-se de apoio com potencial de alcance territorial. Tanto a Igreja Batista do Bosque quanto a Assembleia de Deus possuem influência consolidada e presença em diferentes municípios, o que amplia a capacidade de repercussão política.

Para Mailza e Tião Bocalom, a tendência é buscar outros ativos eleitorais para equilibrar a disputa, seja estrutura partidária, alianças políticas ou a força administrativa de cargos que ocupam ou ocuparam.

Se a configuração se confirmar, Alan Rick passa a reunir um ativo importante no início da corrida eleitoral: a possibilidade de unificar parte significativa do segmento evangélico enquanto adversários dividem o mesmo campo político.

Um olho em Paris e outro no Juruá

Além do respaldo do pastor Agostinho, da Igreja Batista do Bosque, e de Luiz Gonzaga, da Assembleia de Deus, o senador Alan Rick também conta com um aliado de peso político e religioso no Vale do Juruá: o pastor Ilderlei Cordeiro.

Nome conhecido em Cruzeiro do Sul, ele já foi prefeito do município e hoje está à frente da Igreja Batista do Bosque em Paris, mantendo influência política e religiosa na região.

A presença de Ilderlei no entorno de Alan crava a estratégia do senador de ampliar pontes com lideranças evangélicas em diferentes áreas do estado, especialmente no Juruá, onde o capital político local costuma ter papel decisivo em eleições majoritárias.

Nesta semana, a colunista Wania Pinheiro, do ContilNet, informou que Uderlei Cordeiro pode, inclusive, ser considerado para a vaga de vice-governador em uma eventual chapa encabeçada por Alan Rick. Contudo, o senador não confirmou a informação.

Assembleia de Deus entra no radar da disputa entre Alan Rick e Mailza

Se Alan Rick avança ao reunir apoios importantes no segmento evangélico, a atenção também se volta para a Assembleia de Deus, uma das estruturas religiosas de maior influência no Acre e tradicionalmente observada em períodos eleitorais.

Embora a tendência seja de apoio de Luiz Gonzaga ao senador, outros movimentos internos também ganham relevância. A deputada federal Antônia Lúcia, recém-filiada ao MDB, atua para fortalecer o palanque da governadora Mailza Assis dentro desse mesmo campo.

Foi Antônia quem articulou a filiação do pastor-presidente da Assembleia de Deus, Pedro Abreu, ao MDB. A expectativa é de que ele dispute uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições deste ano.

O gesto é interpretado como um movimento de dupla dimensão: amplia a presença do MDB junto ao eleitorado evangélico e aproxima Mailza de uma liderança com influência direta sobre milhares de fiéis.

Antônia já sinalizou que fará campanha para Mailza. Na prática, isso significa que parte expressiva dos eleitores ligados ao seu grupo político e ao pastor Pedro Abreu tende a acompanhar a candidatura da governadora.

O cenário, portanto, mostra que o voto evangélico não deverá seguir de forma homogênea. Alan Rick aparece com apoios relevantes, mas Mailza também se movimenta para ocupar espaço dentro da Assembleia de Deus.

Nem sempre o apoio religioso segue a ideologia

A ideia de que o posicionamento de igrejas acompanha, necessariamente, divisões entre direita e esquerda nem sempre encontra respaldo na experiência política acreana. Em muitos casos, lideranças religiosas se movem por relações de confiança, proximidade e avaliação pessoal dos candidatos.

Um exemplo lembrado é o do pastor Agostinho, da Igreja Batista do Bosque, que teria mantido ligação com Marcus Alexandre na eleição de 2018, quando o ex-prefeito disputou o governo pelo PT.

Outras igrejas também entram no radar eleitoral

A disputa por apoio no segmento evangélico no Acre não se resume aos nomes e denominações já colocados no debate público. Há outras estruturas religiosas com capacidade real de influência que também devem ser observadas ao longo da campanha.

Entre elas, a Igreja Renovada, liderada pela pastora Dayse, e a Igreja Universal, duas forças consolidadas junto ao eleitorado evangélico acreano e com presença significativa em diferentes regiões do estado. Os representantes das duas igrejas mantém silêncio.

Igreja católica também é protagonista no jogo

É sempre importante lembrar que a relação entre religião e política no Acre não se limita ao segmento evangélico. Em outros momentos da história recente do estado, setores da Igreja Católica, especialmente correntes ligadas a pautas sociais e progressistas, também tiveram influência significativa sobre decisões e debates públicos.

Um dos casos mais emblemáticos foi o de Dom Moacyr Grechi. O então bispo teve papel relevante como referência moral e interlocutor político durante os primeiros governos do PT no Acre.

Respeitado em diferentes setores, Dom Moacyr era presença constante em discussões sobre justiça social, direitos humanos e participação popular.

O retrospecto ajuda a entender que, no Acre, fé e política mantêm diálogo antigo. Ao longo do tempo, mudam os grupos, mudam as lideranças e mudam os campos ideológicos, mas a influência religiosa segue presente no cenário estadual.

Um exemplo mais atual

Nas eleições deste ano, o padre Antônio Menezes será um dos nomes da chapa do PT na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Acre.

Fonte: ContilNet

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