O Acre aparece como uma das rotas usadas por redes de migração irregular no Brasil, segundo relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborado em parceria com a Organização Internacional para as Migrações. O documento divulgado na terça-feira, 29, aponta que o estado funciona principalmente como corredor logístico de entrada e saída de migrantes estrangeiros.
De acordo com o levantamento, o Acre é utilizado tanto por venezuelanos que entram no país e seguem viagem para as regiões Sul e Sudeste em busca de trabalho quanto por estrangeiros que utilizam o território acreano como rota para deixar o Brasil rumo a outros países. A posição geográfica do estado, com conexão terrestre com Peru e Bolívia, é apontada como fator determinante para esse papel nas rotas migratórias.
O estudo identifica ainda que, diferentemente de outros estados que absorvem mão de obra estrangeira, o Acre é caracterizado sobretudo como área de trânsito, com permanência curta dos migrantes. Nesses casos, o território funciona como elo entre fronteiras internacionais e rotas internas que seguem para outras regiões do país.
Além do Acre, o relatório aponta rotas estruturadas de migração irregular em outros estados brasileiros. Entre os que funcionam principalmente como áreas de trânsito estão Amapá, Amazonas, Pará e Roraima. Já Mato Grosso e Mato Grosso do Sul aparecem como corredores e também destinos de migrantes, enquanto Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são apontados como locais de atração de mão de obra estrangeira.
O documento também destaca São Paulo como principal eixo da migração irregular no país, funcionando simultaneamente como porta de entrada, trânsito e saída. Já Rondônia aparece como ponto de origem de brasileiros que recorrem a redes clandestinas para migrar, enquanto Minas Gerais e Espírito Santo são citados como polos relevantes de saída de migrantes brasileiros.
Os dados reforçam o papel do Acre como porta de passagem de estrangeiros. Levantamento do Observatório das Migrações Internacionais divulgado pelo ac24horas, em janeiro, mostra que, em 2025, apenas 180 das 850 decisões sobre pedidos de refúgio feitos por migrantes que ingressaram no Brasil pelo estado foram deferidas, o equivalente a cerca de 21,2% do total, pouco mais de dois em cada dez solicitantes.
Entre os municípios acreanos, Epitaciolândia concentrou a maior parte das solicitações, com 488 pedidos, seguida por Assis Brasil, com 264. Rio Branco registrou 95 solicitações, enquanto Cruzeiro do Sul contabilizou apenas três no período. A maioria dos solicitantes era de venezuelanos, que representaram mais da metade dos pedidos analisados.








