Justiça torna réu filho do fundador das Casas Bahia por crimes sexuais

Justiça torna réu filho do fundador das Casas Bahia por crimes sexuais

A 2ª Vara Criminal de Barueri, na Grande São Paulo, acolheu parcialmente a denúncia formalizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e tornou réu o empresário Saul Klein, filho do fundador da rede varejista Casas Bahia, Samuel Klein. O magistrado responsável pelo caso identificou indícios de autoria e materialidade para abrir ação penal pelos crimes de exploração sexual de mulheres e organização criminosa.

O despacho judicial também incluiu outros sete indivíduos no polo passivo do processo, que passaram formalmente à condição de réus sob a acusação de integrarem a estrutura de apoio às práticas ilícitas. Em razão da natureza das acusações e para preservar a identidade das pessoas afetadas, a tramitação da ação penal corre sob segredo de Justiça.

A peça acusatória do Ministério Público consolidou os depoimentos de pelo menos 14 vítimas e detalha uma capitulação que abrange os delitos de favorecimento à prostituição, exploração sexual de vulnerável, favorecimento à prostituição praticado mediante violência, ameaça ou fraude, além de aliciamento de pessoas e constituição de organização criminosa.

Na decisão que deu início ao processo, o juízo destacou que os relatos das testemunhas e vítimas convergem para a existência de uma “dinâmica reiterada” e coordenada de atuação. De acordo com os autos, o recrutamento das mulheres e adolescentes operava sob o pretexto de ofertas legítimas de emprego, com promessas de contratação para a prestação de serviços em eventos corporativos, agenciamento de modelagem e desenvolvimento de ações promocionais de marcas.

A engrenagem descrita pela promotoria aponta para a atuação direta de intermediárias, encarregadas de realizar a abordagem inicial e a triagem das jovens. Na sequência, as vítimas eram conduzidas a flats residenciais e a propriedades imobiliárias de alto padrão vinculadas ao empresário, locais onde ocorriam os pagamentos em espécie e a exigência de submissão a uma cartilha de comportamentos previamente determinados.

Uma das mulheres ouvidas ao longo das investigações policiais declarou que aceitou os convites convicta de que estava sendo integrada a “eventos de showroom” chancelados por uma agência publicitária regular. Os documentos que embasam a denúncia indicam o emprego de mecanismos de controle psicológico e ambiental dentro das propriedades, com a vigilância constante de seguranças particulares e barreiras físicas e operacionais que inviabilizavam a saída espontânea das vítimas. “Não podíamos mexer no celular. Tínhamos que sorrir o tempo todo”, relatou uma das vítimas em seu depoimento à polícia.

Padrão de conduta que atravessa gerações

A instauração da ação penal guarda conexão direta com a série de reportagens investigativas publicadas originalmente pela Agência Pública no ano de 2020. As denúncias jornalísticas trazidas à tona na ocasião revelaram um suposto esquema de aliciamento sistemático que se estenderia por diferentes gerações da família Klein, reproduzindo métodos de conduta historicamente atribuídos ao patriarca do clã, Samuel Klein, falecido em 2014 e conhecido no meio empresarial como o “rei do varejo”.

Os investigadores do Ministério Público conseguiram mapear a repetição de padrões e metodologias nos relatos colhidos no inquérito recente com aqueles apontados anos atrás. A metodologia de aproximação incluía o monitoramento e abordagem de alvos por meio de perfis em redes sociais, o convencimento calcado na ascensão profissional na carreira de modelos e a subsequente liberação de quantias em dinheiro atreladas à manutenção dos encontros privados nas propriedades do réu.

Fonte: Contilnet

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