Empresários e representantes do setor produtivo que haviam se reunido nesta quinta-feira (17), na sede da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa), em Rio Branco, tiveram a expectativa de receber a candidata ao governo do Acre Mailza Assis Cameli (Progressistas) frustrada após o cancelamento da agenda em cima da hora.
Mailza seria recebida pela presidente da Acisa, Patrícia Dossa, para conhecer e receber as propostas reunidas pelo setor produtivo por meio do movimento Voz Única. Com o cancelamento, o deputado federal Zé Adriano (Progressistas), candidato à reeleição, representou a candidata no encontro.
O movimento reúne propostas de associações comerciais do interior, empresários e representantes do setor produtivo em um único documento, com reivindicações e sugestões para o próximo governo.
“Hoje nós estamos aqui lançando um movimento chamado Voz Única, que já é nacional, de outras federações e associações, e trouxemos ao Acre. E o que é que consiste o Voz Única? Nós unimos as propostas das associações comerciais do interior, dos empresários, do setor produtivo em geral, num documento único, onde todos falamos a mesma voz, para entregar para todos os candidatos”, explicou Patrícia Dossa.
A presidente da Acisa destacou que o material entregue aos candidatos não se limita a uma relação de reivindicações, mas também apresenta propostas para enfrentar os problemas apontados pelo setor.
“Não são só sugestões. É um documento com muitas páginas, é um livro onde contém tanto sugestões para os problemas como o caminho para a resolução deles”, afirmou.
Representando Mailza no encontro, Zé Adriano afirmou que recebeu o material elaborado pela Acisa e defendeu uma maior organização do setor empresarial para enfrentar os desafios do Acre.
“Eu recebi o material ontem e, parabéns. Realmente, a gente precisa, enquanto instituição, ter a consciência de que os desafios de empreender nesse estado passam por, diria, décadas de falta de associativismo empresarial”, afirmou.
Segundo o deputado, o setor empresarial perdeu espaço ao longo de mais de duas décadas por falta de organização coletiva.
“A gente perdeu, durante mais de 20 anos, a maioria calada, a maioria olhando o seu umbigo, deixando o laboral se organizar. E aí criaram-se várias instituições representantes dos laborais”, disse.
Zé Adriano também citou mudanças nas relações de trabalho e afirmou que o setor empresarial precisa participar mais do debate.
“A gente chegou num caos em 2017, foi feita uma reforma, pouca gente interagiu. Hoje a gente sente os reflexos dessa mudança, e a gente está muito atrasado. Então, do ponto de vista das relações de trabalho, também tem que ter uma visão de vocês”, declarou.
Para o deputado, a discussão também precisa considerar a qualificação da mão de obra no estado.

“Porque nós precisamos de uma mão de obra qualificada e consciente. E, por um nível econômico, eu digo para vocês que esse estado tem solução. Nós sabemos, com os documentos que vocês entregaram, e nós também, com a instituição, fizemos esse documento que estava lá na empresa. A gente entregou, mas tem outras coisas que a gente precisa conciliar”, afirmou.
Zé Adriano defendeu ainda maior integração entre as entidades que representam o setor produtivo, evitando a sobreposição de funções.
“Porque a associação, assim como vocês estão no município, tem lá as entidades, né? Mas, no geral, não pode haver sombreamento. Então, a gente precisa olhar no próximo modelo”, disse.
O deputado defendeu que o diálogo entre o poder público e o setor empresarial precisa resultar em encaminhamentos concretos, e não apenas em reuniões.
“Compromisso com o diálogo, mas não o diálogo pelo diálogo. Só receber e ouvir não responde, não resolve. A gente precisa de um diálogo onde haja interlocução. Então, não adianta falar de diálogo se não está sendo ouvido realmente”, afirmou.
Zé Adriano pediu ainda que as entidades empresariais elevem o nível das discussões sobre o desenvolvimento econômico do Acre.
“Eu faço apenas essa observação para a gente ter esse cuidado. E, nos nossos encontros, cada vez mais que vocês puderem elevar o nível do debate, vai ser muito melhor para todos nós”, declarou.
O candidato à reeleição afirmou que tem percorrido municípios do Acre e observado diferenças entre as economias locais.
“Porque eu tenho rodado esses municípios todinhos. Eu vejo uma relação econômica diferente de um município para o outro”, afirmou.
Ao final, Zé Adriano afirmou que o setor privado já demonstrou capacidade de promover mudanças, mas avaliou que o Acre ainda depende excessivamente do poder público.
“Porque o setor privado já mostrou que é capaz de fazer todas as mudanças que a gente precisa, mas nós estamos atrasados, como eu falei, mais de 20 anos. A gente fica dependendo do poder público, mas a gente tem que continuar persistindo”, afirmou.
O deputado também declarou que permanece à disposição das entidades empresariais, independentemente do resultado das eleições.
“Eu estou aqui à disposição. Com ou sem mandato, vocês sabem que podem contar comigo. Eu estou à frente da federação ali há 11 anos e aprendi a ouvir mais e falar menos. Agora, como candidato, eu tenho que falar mais que todo mundo”, concluiu.
Da redação ac24horas







