CARLOS VILLELA
PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – Foi concluída a obra de expansão da orla de Itapoá, no litoral norte de Santa Catarina, o maior alargamento de praias feito no Brasil até o momento.
A faixa de areia foi ampliada entre 50 e 200 metros ao longo de 8,8 km da orla. Segundo a Administração do Porto de São Francisco do Sul, um dos financiadores da obra, foram utilizados cerca de 6 milhões de m³ de areia retirada da dragagem na baía da Babitonga.
A dragagem é parte de um investimento amplo dos portos para poder receber navios de até 366 metros de comprimento.
O empreendimento custou R$ 333 milhões, com aportes de R$ 300 milhões do Porto de Itapoá e de R$ 33 milhões do Porto de São Francisco do Sul.
O alargamento supera em 2,5 km o maior já realizado no país até então, feito no litoral de Matinhos (PR), onde 3,2 milhões de metros cúbicos de areia foram usados para ampliar um trecho de 6,3 km.
A conclusão da expansão encerra uma etapa antes da entrega total da nova orla, que ainda precisa atender a critérios estabelecidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
“Durante 36 meses, continuará ainda o monitoramento do perfil da praia para acompanhamento da linha de costa, e o plantio de restinga nas dunas que foram implantadas para fixá-las”, disse em comunicado o secretário municipal de Meio Ambiente de Itapoá, Rafael Brito Silveira.
Está prevista a edificação de um sistema de dunas de 1 a 1,5 metro de altura e 26 metros de largura ao longo do trecho expandido. Segundo informações da prefeitura, mais de 180 mil mudas de seis espécies foram plantadas em 31 áreas diferentes até esta semana.
Outra etapa futura é o acompanhamento da pesca artesanal no município para verificar possíveis impactos do alargamento na subsistência.
Situada na divisa com o Paraná, Itapoá tem cerca de 36 mil habitantes e uma orla de 32 km. As praias que receberam intervenções foram Figueira do Pontal, Pontal do Norte e Princesa do Mar.
A remoção dos sedimentos da baía da Babitonga é feita por uma draga de 170 metros de comprimento e vai ampliar de 14 para 16 metros a profundidade do canal de acesso ao complexo portuário.
A areia foi transportada da embarcação até a faixa de praia por meio de um sistema de tubos de cerca de 400 metros. Retroescavadeiras e tratores foram utilizados para espalhar e nivelar a areia ao longo da praia.
O Porto de São Francisco do Sul, vizinho a Itapoá, é o mais movimentado de Santa Catarina. Em 2025, movimentou 17,5 milhões de toneladas de carga. A APSFS (Administração do Porto de São Francisco do Sul), uma autarquia estadual, administra o terminal.
Já o Porto de Itapoá, inaugurado em 2011, é um terminal privado e foi o segundo em movimentação no estado em 2025, com 15,5 milhões de toneladas.
O investimento de R$ 300 milhões do terminal Itapoá será ressarcido em parcelas até 2037, por meio das tarifas pagas pelos navios ao Porto de São Francisco do Sul, autoridade portuária da baía da Babitonga.
A expectativa é que o valor venha de um aumento da arrecadação com a ampliação das atividades do complexo portuário, que poderá receber embarcações com capacidade para até 16 mil TEUs (uma unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, aproximadamente 6 metros).
Assim, o número de terminais aptos a receber navios desse porte no Brasil passa para seis, junto aos portos de Santos (SP), Itaguaí (RJ), Salvador (BA) e Suape (PE).
O limite atual, de 336 metros de comprimento em Itapoá e 310 metros em São Francisco do Sul, permite a operação de navios com capacidade média de 10 mil TEUs.
É a primeira vez que um alargamento de praia no Brasil utiliza areia proveniente de dragagem portuária.
A previsão é retirar, ao todo, 12,5 milhões de m³ de areia, quase metade destinada à obra; 88% da dragagem já foi concluída, segundo a administração do Porto de São Francisco do Sul.







