A primeira Feira do Mel de Rio Branco movimentou R$ 28.267 em vendas e reuniu 26 produtores no Horto Florestal. A comercialização de mel respondeu por R$ 17.488, cerca de 62% do faturamento, segundo balanço divulgado pela Agência de Notícias do Acre nesta quinta-feira, 5.
Dez dos expositores eram produtores de mel. O evento também abriu espaço para artesanato, biojoias, doces e gastronomia regional, reunindo estudantes, pesquisadores e visitantes do Acre, do Amazonas e do Peru.
Idealizada por Gabriel Ribeiro, da ONG Mãos Que Ajudam, a feira foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). A programação aproximou consumidores dos criadores de abelhas nativas sem ferrão e apresentou atividades ligadas à conservação e à geração de renda.
“Também alcançamos nosso objetivo de criar um ambiente favorável para que quem trabalha com a bioeconomia pudesse expor seus produtos, gerar renda e estabelecer novas conexões”, afirmou Gabriel.
Um dos destaques foi o concurso de melhor mel de abelhas sem ferrão de Rio Branco. O vencedor foi Nilson Brilhante, dos meliponários Porongaba e Filipinas. A participação esteve associada ao trabalho de extensão desenvolvido pelo Parque Zoobotânico da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Técnico da instituição, Nilson Alves Brilhante explicou que as atividades com abelhas sem ferrão começaram em 1987. Além das pesquisas, o trabalho passou a incluir capacitações e compartilhamento de técnicas de manejo com comunidades rurais.
Atualmente, a equipe atua em localidades da Reserva Extrativista Chico Mendes, como Filipinas, Corumbá e Venezuela. As ações orientam os criadores sobre o manejo das espécies amazônicas e a produção de mel.
O meliponário do Parque Zoobotânico trabalha com cerca de cinco espécies de abelhas sem ferrão, incluindo variedades de uruçu. A estrutura mantém entre 12 e 13 enxames matrizes, com meta de chegar a 30 para ampliar as pesquisas, a multiplicação de colônias e o intercâmbio com outros criadores.
Segundo Brilhante, os recursos obtidos com a comercialização dos produtos do parque serão destinados à manutenção do meliponário e às atividades desenvolvidas na unidade.
A feira também recebeu o produtor Leonardo da Silva, que mora em Manaus e começou na meliponicultura em 2019. Ele trabalha exclusivamente com abelhas sem ferrão e conquistou neste ano o prêmio de Melhor Mel de Manaus.
“Grande parte das minhas vendas acontece nas feiras. É uma oportunidade de apresentar os produtos, conversar com o público e mostrar a importância da meliponicultura para a economia e para a conservação ambiental”, relatou.
Além da venda direta, os participantes trocaram experiências sobre multiplicação de colônias, manejo e alimentação das abelhas. Entre as orientações apresentadas esteve o plantio de espécies floríferas que fornecem néctar e pólen aos enxames.







