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Governo tenta fechar acordos antes de Congresso esvaziar com eleições

Governo tenta fechar acordos antes de Congresso esvaziar com eleições

Estratégia é preservar entendimentos já firmados com os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP). — VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Com a Câmara e o Senado praticamente esvaziados nas próximas semanas por causa das Eleições 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta deixar acordos encaminhados para a retomada dos trabalhos após o primeiro turno, em 4 de outubro. As informações são do Metrópoles

A estratégia é preservar entendimentos já firmados com os presidentes das duas Casas, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), e evitar que o Planalto tenha de iniciar uma nova rodada de negociações com o Centrão para fazer avançar suas principais pautas.

Lula recebeu Motta e Alcolumbre no Palácio da Alvorada em 26 de agosto. No encontro, foram discutidas propostas consideradas prioritárias pelo governo, entre elas o fim da escala 6×1, a PEC da Segurança Pública, a chamada “taxa das blusinhas”, o marco dos minerais críticos e o Redata, programa de incentivos fiscais para instalação e ampliação de data centers.

Parte do acordo avançou durante o esforço concentrado da semana passada. O Congresso aprovou o Redata, a política de minerais críticos e a medida provisória que permite zerar novamente o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Agora, algumas das principais pautas ficaram para depois das eleições.

6×1 e PEC da Segurança ficam pendentes

Uma das principais bandeiras do governo, o fim da escala 6×1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e está pronta para ser analisada pelo plenário. A proposta, porém, não deve ser votada antes das eleições.

O governo reconheceu que ainda não tem segurança sobre os 49 votos necessários para aprovar uma PEC no Senado. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que Alcolumbre questionou se havia garantia de votos suficientes para levar o texto ao plenário.

Alcolumbre declarou que a discussão será retomada depois do primeiro turno.

A PEC da Segurança Pública também avançou na CCJ, mas ainda precisa da análise de destaques antes de seguir para o plenário.

Orçamento de 2027 também está pendente

Outra preocupação do governo é a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e do Orçamento de 2027. A LDO, que estabelece as regras para a elaboração do Orçamento, ainda não foi aprovada pelo Congresso.

Com a proposta orçamentária já enviada pelo Executivo, as duas matérias precisarão avançar praticamente ao mesmo tempo após a retomada dos trabalhos.

Governo teme novo cenário político

Para o Planalto, manter os acordos firmados antes das eleições é importante porque o Congresso que voltará às votações poderá apresentar uma configuração diferente.

Parlamentares poderão ser reeleitos, derrotados nas urnas ou eleitos para outros cargos. Ao mesmo tempo, partidos do centro devem iniciar as negociações sobre a próxima legislatura, incluindo espaços no governo, distribuição de emendas e comando da Câmara e do Senado.

Nesse cenário, o governo tenta evitar chegar ao período pós-eleitoral excessivamente dependente do Centrão para aprovar suas prioridades.

A avaliação é que deixar parte da agenda previamente acertada com os presidentes das Casas e líderes partidários pode reduzir a pressão por novas concessões políticas quando o Congresso retomar as votações.

Lula critica oposição

O ambiente entre governo e oposição, no entanto, segue tenso. Na quinta-feira (3), Lula criticou a atuação de parlamentares contrários ao fim da escala 6×1 e afirmou que a oposição estaria tentando impedir o avanço da proposta.

O presidente também fez referência ao coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que foi um dos parlamentares que se posicionaram contra a proposta na CCJ e apresentou um texto alternativo, rejeitado pelo colegiado.

Apesar da pressão do governo, a decisão de adiar a votação também levou em conta a falta de segurança sobre o número de votos necessários.

Com o Congresso entrando em ritmo reduzido por causa das eleições, o desafio do Planalto será manter os acordos firmados antes das urnas e evitar que pautas como a escala 6×1, a PEC da Segurança, a LDO e o Orçamento de 2027 se transformem em novas negociações políticas com o Centrão.

Conteúdo Original / Fonte: Metrópoles

Redação ContilNet

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