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‘Não sou doidão o tempo inteiro’, diz o humorista Diogo Defante

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ‘repórter doidão’ voltou. O humorista Diogo Defante, 36, acaba de reestrear no YouTube o Repórter Doidão pelo Brasil. A segunda temporada da série começou a ser disponibilizada em 29 de outubro e terá oito episódios, publicados semanalmente.

Na produção, o artista percorre diferentes cidades brasileiras, mistura entrevistas improvisadas com situações inusitadas e explora particularidades culturais de cada destino. A proposta surgiu também de uma vontade pessoal de conhecer lugares que ainda não faziam parte de seu repertório.

Defante conta que percebeu o interesse do público pelos cenários das gravações quando ainda concentrava o trabalho no Rio de Janeiro. As gravações duraram o ano inteiro, com dois dias de trabalho em cada cidade.

A espontaneidade que consagrou o personagem, no entanto, não significa que o humorista seja assim o tempo todo. Conhecido pelo comportamento extravagante e pelas abordagens imprevisíveis, ele diz que precisou aprender a separar o trabalho artístico da vida cotidiana.

“Quando ligo a câmera, aciono a chave da maluquice como parte do meu trabalho artístico. Quando desligo, volto para o meu canto, fico em casa e levo uma vida normal. Não sou o doidão o tempo inteiro. Na verdade, sou até sério demais”, conta.

A diferença em relação ao personagem também aparece na relação com os fãs. Defante diz que algumas pessoas esperam encontrar fora das gravações o mesmo sujeito que veem nos vídeos e admite que, no começo, tentava sustentar esse comportamento mesmo quando não estava trabalhando.

“Terminava o dia completamente sugado de energia e não entendia o motivo. Depois, percebi que precisava separar as coisas. Hoje, no meu momento pessoal, fico mais tranquilo”.

A experiência com grandes eventos, especialmente a cobertura das Copas do Mundo pela CazéTV em 2022 e 2026, também mudou sua percepção sobre o alcance do próprio trabalho.

Até então, ele acreditava ter conquistado um público mais restrito à internet. Foi durante a competição que percebeu que sua maneira de fazer humor poderia chegar a diferentes gerações e abrir novas possibilidades.

Na emissora digital, inclusive, adapta parte do conteúdo para alcançar uma audiência mais ampla. “No YouTube, sou exatamente do jeito que gosto: tem mais palavrão e sacanagem, que também fazem parte do meu humor. Na CazéTV, o trabalho é mais comercial e eu tomo mais cuidado nas palavras”, explica.

O humorista também reconhece que a exposição e o improviso exigem cuidados. Durante uma transmissão da CazéTV, por exemplo, passou por uma situação de risco ao tentar surfar em um rio com ondas artificiais à noite.

Ele teve dificuldades para sair da água e alcançar um local seguro, em um episódio que serviu de alerta sobre os limites das brincadeiras. “Às vezes, no ao vivo, queremos fazer uma loucura pela loucura, mas não pensamos na segurança e em como nos precaver. Depois daquela situação, fiquei 1.000 vezes mais atento. Foi um alerta vermelho, porque minha vida estava em jogo”, relata.

Defante afirma que não pretende ficar preso a uma fórmula. O improviso continua sendo uma de suas principais ferramentas, mas ele também usa o próprio canal como laboratório para testar ideias, mesmo quando elas não alcançam os números esperados.

“Passei uns três anos dando murro em ponta de faca, sem saber se aquilo daria certo em algum momento. Insisti porque achava engraçado e acreditava que havia pessoas no Brasil que também poderiam gostar. Acabou dando certo.”

Para os próximos anos, o artista afirma que pretende ampliar o repertório e experimentar formatos diferentes. Entre os planos estão a criação de esquetes inspiradas no grupo Hermes e Renato e o desejo de trabalhar mais diretamente com direção.

Ele já teve experiência na área durante sua passagem pela produtora Parafernalha e gostaria de voltar a desenvolver projetos nos bastidores.

“No futuro, gostaria de dirigir filmes. Gosto da ideia de dirigir atores e montar um vídeo que está na minha cabeça”, afirma. A música também permanece nos planos, apesar de ainda exigir investimento financeiro. “Se o projeto da banda der certo e conseguir se pagar, quero continuar com ele para sempre.”

Com informações do Notícias ao Minuto

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